quarta-feira, 23 de março de 2016

UM PITO EM SÉRGIO MORO?

Cuidado com a imprensa marrom!

Um magistrado não pode dar pito em outro magistrado, eis que não existe hierarquia entre eles. 
Logo, os ministros do Supremo Tribunal Federal não podem censurar nem tampouco frustrar o trabalho de qualquer magistrado, a seu bel prazer.

Como corolário, Teori Zavascki não pode simplesmente determinar que o juiz Sérgio Moro envie as investigações sobre Lula para o STF, mesmo porque o STF não é o foro competente para processar e julgar o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Como primeira linha de interpretação da decisão de ontem está o entendimento da globo, em notícia veículada ontem [G1 de Brasília], informando que, com a decisão do STF "investigações sobre ex-presidente saem da alçada de Moro"[http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/03/teori-determina-que-moro-envie-investigacao-sobre-lula-para-o-stf.html]. . Isto não é verdade! 

Dar um pito em Sérgio Moro? Não pode! 

A imprensa precisa divulgar toda a verdade e o que passa disso ou é sensacionalismo ou ausência de conhecimento técnico. 

Neste caso, faltou conhecimento jurídico sobre o fato.

Dilma, como qualquer um de nós, exerceu o seu direito constitucional do acesso à justiça. E o fez exatamente no foro competente: no STF!

Para defender direito seu que entendeu ter sido violado, a mandatária da nação buscou a tutela do Estado e o magistrado que apreciará o seu pleito certamente precisará de informação para o seu convencimento e elas se encontram nas mãos do juiz da ação principal, razão porque as buscou no lugar onde elas se encontram: no processo em trâmite no Juízo onde Sérgio Moro é titular. Logo, a este cabe envia-las, como dever de ofício.
Neste cenário vislumbra-se uma aparente confusão que de confuso não tem nada, mesmo porque há incoerência jurídica ao dizer o jornalista da globo, Renan Ramalho, que "Com a decisão, as investigações sobre Lula saem da alçada de Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal".

É certo que o STF atraiu para si a competência para apreciar o pedido da Presidente Dilma, porque por esta provocado. Mas não menos certo é que esta decisão [em carater liminar e tão somente sobre o pedido de quebra de sigilo processado no Juízo supracitado] restringe-se apenas à divulgação das conversações telefônicas interceptadas e por isso, não retirou a competência de Moro.  A contrario sensu, Lula estaria automaticamente em foro privilegiado.

Há que ser lembrado ainda que a nossa Constituição não recepcionou o instituto da avocação de processo, existente no tempo da ditadura. Portanto, não se pode falar em determinação de remessa de autos sem as formalidades impostas pelo princípio do devido processo legal assim como do juiz natural.

Na segunda linha de entendimento da informação recebida do STF, está a assertiva: "Golpe de Teori no STF foi para humilhar Moro e salvar Lula" [http://www.oantagonista.com/posts/coelhinho-da-pascoa], acrescentando que, embora temporária a decisão de Teori Zavascki, já tem o efeito prático de evitar que Lula seja preso antes da Páscoa.

A terceira decodificação do despacho do Ministro relator da Lava Jato registrado nos autos do processo da Dilma em exame encontra-se nas palavras do advogado Taiguara Fernandes de Souza: “Senhores, acalmem-se. Não foi conferido nenhum foro privilegiado a Lula, nem foi tirada a competência de Sérgio Moro. Teori Zavascki pediu APENAS os processos dependentes das interceptações telefônicas. APENAS DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. Nada mais" [http://oapontador.com/2016/03/22/atencao-stf-nao-tirou-lula-das-maos-de-sergio-moro/].

Poderia haver outros, mas diante dos três lados desta mesma moeda, algo não podemos perder de vista: Como guardião da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal, mediante provocação, realizou apenas e tão somente uma triagem, por exclusão, da matéria de sua competência exclusiva, ficando a residual nas mãos do juiz Sérgio Moro. Logo, não se pode falar em retirada de investigações da alçada de Moro, humilhação de Moro ou concessão de privilegio a Lula. E dar um pito em Sérgio Moro? Nem pensar! 

Por fim, uma advertência: cuidado com a imprensa marrom! Ela pode nos conduzir a erro, levando-nos a fazermos juízo de valor com base em premissa falsa.

Deus abençoe o Brasil! Eu quero um país sem sombras!

Gabriel Riserio Lopes

segunda-feira, 21 de março de 2016

MUITO ALÉM DA PETROBRÁS


Moro está com a sua imagem deteriorada mas antes de qualquer crítica às suas decisões, desafio a você a se debruçar sobre uma pitada do seu trabalho, que resultou na prisão preventiva de José Dirceu.

Nesta decisão, o magistrado inicia sua fundamentação jurídica dizendo que na Operação Lava Jato cotidianamente se depara com um quadro, em cognição sumária, de corrupção e lavagem de dinheiro sistêmicas, e prossegue, afirmando que há, ainda, fundada suspeita de que o esquema criminoso vai muito além da Petrobrás.

Pergunto eu: Isto é ou não é uma verdadeira obra de arte!

Não é lícito criticar algo sem antes conhecer, com profundidade, o alvo da crítica. Por isso, independentemente se sermos ou não um critico das decisões do juiz Sérgio Moro, vale a pena ler uma de suas decisões, na qual ele mesmo reconhece que é alvo de críticas [http://congressoemfoco.uol.com.br/…/confira-a-integra-da-p…/].

Sua argumentação deixa-nos boquiabertos e ler o seu inteiro teor é condição sine qua non para começarmos a avaliar o seu trabalho. 

Eis as suas palavras: "Embora as prisões cautelares decretadas no âmbito da Operação Lava Jato recebam pontualmente críticas, o fato é que, se a corrupção é sistêmica e profunda, impõe-se a prisão preventiva para debelá-la, sob pena de agravamento progressivo do quadro criminoso. Se os custos do enfrentamento hoje são grandes, certamente serão maiores no futuro".
Eu apoio o trabalho realizado pelo juiz Sérgio Moro, mesmo porque, por detrás de suas decisões, sempre está o parecer do Ministério Público Federal, agindo também como fiscal da lei.

Gabriel Riserio Lopes

sábado, 19 de março de 2016

SALVO CONDUTO INCONSEQUENTE


Dilma auto-intitula Mãe dos brasileiros, em discurso proferido em 09.07.2010 na cidade de Natal [Folha de S.Paulo].

Lula autodenomina Jararaca, em seu recente pronunciamento [04.03.2016] na sede nacional do PT, em São Paulo. 


Lula foge de Sérgio Moro e encontra na sua frente Gilmar Mendes. Dilma assina a posse de Lula e esta imediatamente vê o resultado de seu ato inconsequente através do espelho de conversas telefônicas entre ambos, divulgado.
É como um homem que foge de um leão e dá de cara com um urso; ou como alguém que entra em casa e encosta a mão na parede e é picado por uma cobra, como disse o profeta Amós.
Dilma foi picada por uma serpente e como consequência, teve a desventura de ver o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil formalizar apoio ao seu impedimento no cargo.
Não bastasse este resultado, como consquência há uma enxurrada de contestações em ações contra o ato de posse do ministro-chefe da Casa Civil assim como uma assustadora pressa dos parlamentares no andamento do processo para seu afastamento do cargo, além dos vários partidos da base aliada deixando-a isolada.
Nesta sexta-feira, em decisão proferida em Mandado de Segurança, [http://politica.estadao.com.br/…/geral,gilmar-mendes-suspen…] para o Ministro Gilmar Mendes, "o telefonema gravado entre Lula e a Presidente Dilma Rousseff mostrava que os dois tinham medo que o ex-presidente fosse preso" e que "o objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento de ordem de prisão ... uma espécie de salvo conduto emitido pela Presidente da República.
Ora, afirmar que o objetivo da falsidade é incontroversamente impedir o cumprimento de ordem de prisão implica dizer que há um decreto de prisão a ser cumprido na Lava Jato, contra o ex-presidente Lula.
Como corolário, suspensa a sua nomeação e posse, e decidindo pela devolução do processo do lider petista ao juiz federal Sérgio Moro [e certamente o plenário o acompanhará nesta decisão], não é difícil concluir que Lula corre o risco de ser preso a qualquer momento.
O salvo-conduto é tipicamente expedido por um magistrado mas na hipótese em análise, nem atípico é, eis que inconsequente e expedido com requinte de usurpação.

terça-feira, 15 de março de 2016

A CRISE QUE TEMER TEME



Da crise que o Temer teme nada temos a temer ... pelo menos por enquanto.

Entre um acórdão e um acordão, a resposta do ex-presidente Lula ao convite da Presidente Dilma Rousseff para integrar sua equipe de governo deverá ser conhecida até a próxima quarta-feira, conforme o jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de ontem. E afinal, você sabe que dia será quarta feira?

Quarta-feira próxima será dia 16.03.2016, data na qual o Supremo Tribunal Federal poderá autorizar ao Congresso Nacional, mediante um acórdão numa ação de Mandado de Segurança a conversão de nosso sistema de governo de presidencialismo para parlamentarismo, através de uma Proposta de Emenda à Constituição em trâmite no Parlamento há 21 anos. Isto mesmo. Há 21 anos!

Trata-se da PEC 20/1995  [http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C41686FFB71672E078E7BB16DA8D6598.proposicoesWeb2?codteor=1302042&filename=Avulso+-PEC+20/1995que cria o Sistema Parlamentarista de Governo no Brasil. E como no sistema parlamentarista são distintas as autoridades que exercem os papéis de chefe de Estado e de chefe de governo, Lula poderá vir a ser o nosso primeiro Primeiro-ministro, o Chanceler brasileiro. E como chefe de governo, restará à Presidente Dilma apenas o papel de chefe de Estado.

Conforme afirmação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) nesta segunda-feira, 14, uma parte do PMDB articula com a oposição um acordão para retirar o mandato da presidente Dilma Rousseff e ainda "abafar" as investigações realizadas pela Operação Lava Jato [http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/03/14/lindbergh-farias-eventual-governo-temer-seria-prejudicial-aos-trabalhadores.htm]. Por outro lado, não é difícil concluir que a outra metade do PMDB, fiel ao atual governo, seguirá na direção do parlamentarismo e certamente conduzirá o Parlamento á aprovação da e a ambiência de um processo de impedimento na qual se encontra a Presidente Dilma Rousseff  [http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/11181.html].

Convém lembrar que os cidadãos brasileiros já fomos às urnas para opinar a respeito da forma de governo [república ou monarquia] e do sistema de governo [presidencialismo ou parlamentarismo] que desejávamos para o país há mais de duas décadas, com o plebiscito ocorrido em 21 de abril de 1993Todavia, após aproximadamente 23 anos, eis que ressurge o tema no meio de um povo esquecido e sem consulta popular.

Como o STF é um puxadinho do Palácio do Planalto, com maioria de seus integrantes indicados pelo governo petista, poderemos ter amanhã - quarta-feira - 16.03.2016, uma nova surpresa no cenário político brasileiro.

Não têm nada a temer! Com esta frase o Ministro Luiz Fux, na posse do Ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal, rebateu críticas à judicialização da política [http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,juizes-nao-tem-nada-a-temer-diz-fux-na-posse-de-joaquim-barbosa,963667]. Ele falava em relação aos membros do Poder Judiciário - os juízes, e não temos dúvida que se trata de uma reação a uma ação, onde podemos vislumbrar uma crise.

Num momento em que o país atravessa uma sequência de crises, o guardião de nossa Constituição Federal promove na seara do direito, sucessivos conflitos, como o de ontem, num flagrante desrespeito à coisa julgada, quando da concessão de uma liminar à União simplesmente suspendendo um direito lastreado numa sentença trânsita em julgado [http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=312070&tip=UN], assim como sua postura sobre a relativização da coisa julgada, trazendo insegurança jurídica aos jurisdicionados no que pertine a um direito constitucionalmente reconhecido.

Diante da crise política, crise econômica, crise social, crise moral, crise ética e crise de autoridade que assolam o país atualmente, estamos às portas de uma nova modalidade de crise - a crise institucional. A crise que o Temer mais teme! 

A ausência de credibilidade e a baixa popularidade do governo levou o Presidente Fernando Henrique Cardoso a afirmar que esta sucessão de crises marca o fim de uma era e um outro percurso na política e na economia começa a ser desenhado pela oposição. 

É certo que um outro percurso na política e na economia do país não necessariamente precisa ser desenhado pela oposição, como afirma o ex-presidente acima. Mas, não menos certo é que redesenhar a política brasileira é necessário e imperioso, eis que uma nova crise encontra-se às portas, conforme Miriam Leitão, quando afirma: "o país está entrando numa crise institucional"  [http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/crise-institucional.html], e acrescenta a jornalista: "os poderes se acusam". Repito. É a crise que o Temer mais teme! 

Portanto, nesta ambiência de crises, podemos afirmar que a crise institucional já se encontra instalada. E conforme recente fala do constitucionalista e Vice-presidente da República Michel Temer a magistrados do Mato Grosso, historicamente no Brasil esta crise repete-se aproximadamente de 25 em 25 anos. E certamente o Direito militará contra a Política e esta contra aquele. 

Assim, digladiando uns com os outros, os Poderes da República reverberam claramente uma verdadeira quebra de braço. É o que podemos deduzir da manifestação ontem na cidade do Rio de Janeiro, quando vestindo toga, magistrados fazem ato em defesa da independência do Judiciário e de Sergio Moro.


 Neste cenário que nada pare estar dando certo, "a presidente da República vai se transformando em uma figura simbólica, sem qualquer capacidade de comandar a agenda" [Miriam Leitão in Jornal O Globo - 18.07.2015] e o instituto do parlamentarismo 

me parece estar caindo como uma luva.


Sempre entendi que o parlamentarismo é bom para o Brasil, uma vez que no presidencialismo há um acúmulo de funções para o chefe da nação. quando este ou esta desempenha simultaneamente o papel de chefe de Estado, chefe de governo e chefe da Administração federal. E isto traz um enorme desgaste à pessoa que preside a nação.

Nesta vertente, o ex-presidente Lula é carismático, reúne as condições para o exercício do cargo de Primeiro-ministro [Chanceler] e tudo leva a crer que isto brevemente ocorrerá. 

Contudo, será melhor esperar um pouco mais. Isto porque a carruagem das investigações que pesam sobre ele ainda não passou assim como a poeira das suspeitas que paira sobre ele ainda não baixou.




Quanto à mandatária e chefe do Estado brasileiro que se encontra sem norte, sua rota de escape está ancorada sobre a assertiva do líder petista à Polícia Federal de que em 2018 será candidato à Presidência da República, conforme  o Estadão, em sua edição de 14.03.2016; sobre a ausência de um político idôneo e carismático na linha sucessória da Presidência 

Assim, este tripé nos conduz ao entendimento que a única saída honrosa da Presidente Dilma Rousseff será a utilização da PEC do Parlamentarismo [PEC 20/1995][http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=14267], que engavetada há mais de duas décadas, agora ganha força e representa o último instrumento político que ficará disponível nas mãos da chefe do Poder Executivo somente se a decisão de amanhã [16.03.2016] do plenário do Supremo Tribunal Federal for favorável à sua tramitação no Congresso Nacional.

Reconhecendo que a felicidade de qualquer nação depende, fundamentalmente, do reconhecimento da soberania de Deus e da influência que Ele passa a exercer sobre as pessoas, sobre as famílias e sobre todas as instituições, 
na crise que Temer teme nada temos a temer.  

E lembre-se: Feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor - [Salmo 33:12].

Que nós possamos manter os nossos corações protegidos de julgamentos, condenações e desprezo para com qualquer pessoa, eis que todos nós somos alvos da Graça maravilhosa de Deus.

Que o Senhor se compadeça de nossa pátria amada e tenha misericórdia de nosso querido Brasil! 


Gabriel Riserio Lopes